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Entre pés de lata e bolhas de sabão, Museu da Infância da Unesc resgata brincadeiras antigas

Experiência integra a 24ª Semana Nacional de Museus e reconecta crianças a formas de brincar marcadas pela simplicidade e pela interação coletiva. (Fotos: Luan Vieira/Agecom/Unesc)

Mariana cuida das plantas como se regasse os próprios bons sentimentos. Ao lado, Antonella sobe nas latas coloridas e, por alguns instantes, alcança o tamanho que a imaginação permite. Vicente aproxima a lupa de uma bola de sabão e investiga reflexos onde cabem planetas, oceanos e universos inteiros. Anna conduz o cavalo de pau com a imaginação fértil de um pequeno Dom Quixote.

Eles são alguns dos alunos do 1º ano do Colégio Michel que passaram parte desta segunda-feira (18/5) no Museu da Infância, espaço vinculado à Unesc que preserva brincadeiras, memórias e experiências compartilhadas entre gerações. A visita faz parte da programação da 24ª Semana Nacional de Museus com atividades que seguem até domingo (24/5).

Brincar como experiência de descoberta

Entre brinquedos construídos com materiais recicláveis e brincadeiras cada vez mais ofuscadas pelo brilho das telas, a visita amplia o diálogo entre memória, criatividade e formação infantil, aproximando as crianças de formas de brincar sustentadas pela simplicidade, pela convivência e pela imaginação.

A professora Rosane Destro Pirola explica que a experiência foi organizada como continuidade do conteúdo trabalhado em sala de aula. “Estamos fazendo comparações entre os brinquedos atuais e os brinquedos de antigamente. Antes de vir para cá, os alunos fizeram entrevistas com familiares mais velhos para entender como era o modo de brincar e quais brinquedos utilizavam”, afirma.

Depois da etapa de pesquisa, os próprios estudantes também produziram brinquedos utilizando materiais alternativos que ampliaram a percepção sobre reaproveitamento, criatividade e construção coletiva.

Rosane observa que a vivência também ajuda a romper a ideia de que a Universidade é um espaço distante das crianças. Para ela, o Museu da Infância evidencia que o ambiente acadêmico pode acolher experiências formativas desde os primeiros anos escolares.

“Em sala de aula, também construímos brinquedos a partir de materiais alternativos. Então, a proposta é mostrar que o brincar também ocupa outros espaços de formação. Muitas vezes, as crianças enxergam a Universidade como um espaço só para adultos, mas aqui elas percebem que também existem ambientes preparados para acolher grupos e proporcionar experiências lúdicas”, destaca.

“O contato com brinquedos antigos também ajuda as crianças a saírem um pouco das telas. Acho importante perceberem que nada precisa ser simplesmente descartado. Materiais que poderiam ir para o lixo podem se transformar em brinquedos criativos, divertidos e sociáveis”, acrescenta a professora.

Pequenas coisas que sustentam grandes memórias

No Museu da Infância da Unesc, os brinquedos não dependem de bateria, conexão ou atualização. Dependem de tempo, curiosidade e troca. Talvez por isso Mariana continue regando plantas com o seu pequeno regador, Antonella siga crescendo sobre o pé de lata, Vicente permaneça procurando mundos dentro de bolhas e Anna cavalgue sobre o cavalo de madeira.

“É uma forma de valorizar o que se tem em casa, valorizar as pequenas coisas, sem permanecer apenas na lógica do consumo impulsionado pela publicidade ou pela repetição social. O mais importante é o contato manual, a interação e também a aproximação com a natureza”, conclui Rosane.

Coordenadora do Setor de Arte e Cultura da Unesc, Amalhene Baesso Reddig, a Lenita, explica que a programação da Semana Nacional de Museus amplia a dimensão educativa e social do espaço ao aproximar visitantes de debates sobre pertencimento, memória, democracia e convivência coletiva.

“Durante todo o ano, o Museu da Infância está de portas abertas para visitantes, crianças, idosos, pesquisadores e estudiosos da área. Agora, especificamente na Semana Nacional de Museus, teremos mediações de segunda a sexta-feira, escolas visitando o espaço, debates sobre ética, democracia, direito à memória, além de rodas de conversa sobre infância e paz”, afirma.

Museu sem paredes e aberto à comunidade

Segundo Lenita, as atividades previstas para a semana fortalecem o vínculo entre infância, natureza e experiências compartilhadas. “Na quarta-feira, teremos o cultivo de ipês branco, rosa, roxo e amarelo, além da produção de mandalas com elementos da natureza. É um momento pensado para estimular pertencimento, cuidado coletivo e contato direto com o ambiente natural”, observa.

“É importante pensar que este é um museu sem paredes, dentro de uma Universidade Comunitária, aberto para todos os públicos. A partir dele, temos a possibilidade de refletir sobre pertencimento, desigualdades, democracia e sobre como nos comprometemos coletivamente com ações que reafirmam a importância desse cotidiano institucional”, acrescenta

Para ela, o museu também amplia o potencial do campus universitário como espaço de convivência e formação humana. “O museu é um espaço vivo para a construção de uma sociedade plural, comprometida com igualdade e dignidade humana. Receber visitantes aqui também significa pensar o campus como um ambiente com potencial para Ensino, Pesquisa e Extensão, mas igualmente para experiências ligadas à natureza e à convivência”, acrescenta.

Semana Nacional de Museus

Coordenada pelo Instituto Brasileiro de Museus, a 24ª Semana Nacional de Museus ocorre entre os dias 18 e 24 de maio em diferentes instituições do país. Neste ano, o tema “Museus: Unindo um Mundo Dividido” evidencia o papel social, cultural e formativo desses espaços.

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