A prática de musculação na terceira idade vai muito além do fortalecimento muscular e da busca pela autonomia física. Um estudo pioneiro conduzido por cientistas brasileiros da Universidade Estadual de Londrina (UEL) revelou que o treinamento de força é capaz de reverter sinais de envelhecimento cardíaco em mulheres com 60 anos ou mais.
A pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista científica internacional Medicine & Science in Sports & Exercise (MSSE), acompanhou idosas com idade média de 71 anos ao longo de dois anos. Os cientistas avaliaram o impacto de um programa estruturado de musculação na estrutura e no funcionamento do coração das participantes.
O desafio do envelhecimento cardíaco
Com o passar dos anos, é natural que o músculo cardíaco perca elasticidade e se torne mais enrijecido. Esse processo prejudica a fase em que o coração relaxa para se encher de sangue — a chamada função diastólica —, sendo a principal causa da insuficiência cardíaca em pessoas idosas, uma condição com opções limitadas de tratamento medicamentoso.
Durante a investigação, os pesquisadores dividiram as voluntárias em dois grupos: um manteve a rotina habitual sem exercícios, enquanto o outro seguiu um protocolo contínuo de musculação.
Ao final do período de observação, a comparação entre os grupos destacou o impacto do exercício:
Grupo sedentário: Apresentou um avanço nos marcadores de rigidez cardíaca, com um aumento médio de 11% nos indicadores de envelhecimento do órgão.
Grupo praticante de musculação: Registrou uma redução de 5,5% nesses mesmos marcadores, o que representa uma reversão do envelhecimento estrutural do coração.
De acordo com o médico e pesquisador do projeto Envelhecimento Ativo da UEL, Dr. Ricardo José Rodrigues, os achados comprovam que a musculação atua como um tratamento preventivo de alta eficácia, devolvendo jovialidade e eficiência ao sistema cardiovascular.
Benefícios metabólicos associados
Além da melhora direta na elasticidade do miocárdio, o grupo que realizou o treinamento de força apresentou ganhos significativos em outros parâmetros de saúde:
Redução da glicemia em jejum: Queda média de 8,9%, auxiliando no controle do açúcar no sangue.
Melhora no perfil lipídico: Diminuição de aproximadamente 10% nos níveis de colesterol LDL (conhecido como “colesterol ruim”).
Ganho de massa magra e força: Aumento da capacidade funcional, facilitando atividades do dia a dia e reduzindo o risco de quedas.
Protocolo acessível e seguro
O estudo destacou ainda que o protocolo de exercícios utilizado não exige rotinas extenuantes ou equipamentos complexos. As participantes treinaram três vezes por semana, em dias alternados, realizando oito exercícios por sessão (quatro para membros superiores e quatro para inferiores), com três séries de 8 a 12 repetições.
Especialistas ressaltam que, embora os resultados sejam altamente promissores, a prática de atividades físicas por idosos deve ser precedida por avaliação médica e acompanhada por profissionais de Educação Física para garantir a segurança e a adequação das cargas.











































