O Dia dos Pais costuma ser marcado por homenagens, almoços em família e troca de presentes, mas médicos e entidades de saúde pública reforçam que o melhor presente que um pai pode receber e oferecer à sua família é a atenção com a própria longevidade. No Brasil, a data coloca em evidência um contraste preocupante: enquanto a paternidade evoca responsabilidade e proteção com os filhos, o autocuidado dos homens com a própria saúde física e mental permanece em segundo plano.
Dados do Ministério da Saúde indicam que os homens vivem, em média, 7,1 anos a menos do que as mulheres no país e enfrentam um risco até 50% maior de morrer prematuramente por doenças crônicas, como complicações cardiovasculares e problemas respiratórios. A principal raiz dessa disparidade não é genética, mas sim comportamental: a histórica resistência masculina em procurar atendimento médico de forma preventiva.
Essa barreira cultural se reflete nos diagnósticos tardios. Pesquisas da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) apontam que cerca de 46% dos homens com mais de 40 anos só procuram atendimento médico quando já apresentam sintomas evidentes de alguma enfermidade — índice que salta para 58% entre os usuários dependentes do Sistema Único de Saúde (SUS). O sedentarismo afeta cerca de 26% desse público, enquanto a pressão alta atinge 24% dos homens adultos e alcança 40% na faixa acima dos 60 anos, seguida por quadros de obesidade.
A hesitação em freqüentar consultórios é frequentemente alimentada pela ideia ultrapassada de que o homem precisa demonstrar invulnerabilidade ou “não pode perder tempo adoecendo”. Contudo, essa postura resulta na descoberta tardia de condições silenciosas e altamente tratáveis em estágios iniciais, como hipertensão, diabetes, depressão e diversos tipos de câncer, incluindo o de próstata e o colorretal.
Diante desse cenário, a família surge como o principal agente de mudança. O próprio levantamento da SBU revela que 78% dos homens reconhecem que as mulheres cuidam melhor da saúde e quase 20% admitem que dependem da companheira ou dos filhos para agendar suas consultas. No contexto do Dia dos Pais, especialistas orientam que o afeto seja traduzido em ações práticas de incentivo ao autocuidado.
O acompanhamento preventivo deve evoluir de acordo com a idade. Dos 20 aos 30 anos, a orientação é manter a vacinação em dia e monitorar periodicamente a pressão arterial, taxas de glicemia e colesterol. A partir dos 40 anos, tornam-se indispensáveis as avaliações cardiológicas mais detalhadas e o acompanhamento urológico individualizado. Já aos 50 anos, a rotina deve incluir o rastreamento anual da saúde da próstata e exames preventivos para o câncer de cólon, como a colonoscopia.
Acompanhar os pais aos exames, ajudar na organização do histórico médico, promover refeições equilibradas, incentivar atividades físicas conjuntas e abrir espaço para conversas francas sobre estresse e saúde mental são atitudes simples que quebram o isolamento masculino. Neste Dia dos Pais, a mensagem principal das campanhas de conscientização é que cuidar da saúde não representa um sinal de fraqueza, mas sim o maior gesto de responsabilidade e amor para garantir a presença paterna ao longo de muitas gerações.











































