Os peruanos retornam às urnas neste domingo (3) para eleger o nono presidente do país em 10 anos. A conservadora Keiko Fujimori (Fuerza Popular) e o esquerdista Roberto Sánchez (Juntos por el Perú) disputam a preferência popular em cenário de instabilidade política.
Segundo as pesquisas eleitorais mais recentes, Keiko lidera a preferência de voto, mas com pequena vantagem sobre Sánchez. O levantamento da Ipsos para o jornal Perú21, divulgado em 31 de maio, mostrou a conservadora com 40,4%, enquanto o esquerdista registrou 38,3%. Dentro da margem de erro de 2,8 pontos percentuais, os candidatos estavam tecnicamente empatados.
Também divulgada em 31 de maio, a pesquisa do Datum para o jornal El Comercio mostrou conjuntura similar. Keiko lidera a preferência de voto com 39,7%. Sánchez somou 35,4%. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.
Keiko Fujimori
Formada em administração de empresas pela Universidade Boston, Keiko Fujimori é a filha do ex-ditador peruano Alberto Fujimori (1938–2024). Na chefia de Estado de 1990 a 2000, ele sofreu impeachment após fugir do país quando estourou um escândalo de corrupção. Também foi condenado por violação dos direitos humanos. O ex-mandatário foi preso em 2005 durante visita ao Chile e extraditado ao Peru em 2007.
Em 2006, Keiko voltou ao Peru para disputar as eleições ao Congresso. Ela foi a deputada mais votada da história do Peru, com 600 mil votos.
Ficou no Legislativo até 2011, quando candidatou-se à Presidência, mas perdeu no segundo turno. Ela ainda se lançou ao Palácio de Governo em 2016 e 2021, mas também foi derrotada em segundo turno.
Em outubro de 2018, Keiko foi presa preventivamente no âmbito do escândalo da Odebrecht, que resultou na Operação Lava Jato no Brasil. Ela foi acusada de receber dinheiro da empreiteira brasileira na campanha de 2011. Dias depois, foi solta por decisão do Tribunal Penal Nacional.
Keiko voltou a ser presa no final do mês de outubro de 2018 pelo “alto risco de fuga”. Ela ainda foi libertada em 29 de novembro, mas foi detida novamente em janeiro de 2020 sob a mesma justificativa. A ordem de prisão foi revogada em abril do mesmo ano e, após pagamento de fiança, deixou a prisão.
Principal nome do fujimorismo, uma ideologia baseada na política neoliberal de Alberto Fujimori, Keiko prometeu expulsar imigrantes do Peru e aproximar-se dos Estados Unidos.
Roberto Sánchez
Roberto Sánchez é deputado federal no atual mandato de 2021 a 2026. Formado em psicologia, disputou vaga no Congresso em 2006, mas não foi eleito. No mesmo ano, saiu candidato à prefeitura de Hural, no entanto, não ganhou.
Em 2020, foi nomeado secretário de Desenvolvimento Social de Hural. É presidente do partido Juntos por el Perú desde 2017.
Herdeiro do ex-presidente peruano Pedro Castillo, Sánchez foi nomeado ministro do Comércio Exterior e Turismo em julho de 2021. Foi o único a sobreviver às reformas ministeriais do ex-líder sindical.
Sánchez deixou o Executivo peruano em dezembro de 2022, quando Castillo foi destituído do cargo.
Durante a campanha presidencial, Sánchez prometeu conceder indulto a Castillo, que foi condenado a 11 anos por tentativa de golpe de Estado. De vertente esquerdista, o candidato também quer criar uma nova constituição para o país.
Oito presidentes em 10 anos
Desde 2000, com o fim do governo Fujimori, só três presidentes concluíram o mandato no Peru. No mesmo período, cinco chefes de Estado foram depostos e dois renunciaram.
O último líder a completar o mandato de cinco anos no poder foi Ollanta Humala. Ele deixou o Palácio de Governo em 2016, sendo sucedido por Pedro Pablo Kuczynski.
Em 2018, Kuczynski renunciou. Martín Vizcarra assumiu o cargo. Dois anos depois, em 2020, ele foi destituído pelo Congresso.
Vizcarra foi sucedido por Manuel Merino, que renunciou cinco dias depois de assumir o governo do Peru. Francisco Sagasti comandou o país até a posse de Pedro Castillo.
Eleito em maio de 2021, Castillo foi empossado dois meses depois. Com pouco mais de um ano no poder, ele foi deposto em dezembro de 2022, quando tentou dissolver o Congresso.
No lugar de Castillo, entrou Dina Boluarte. Em outubro de 2025, ela sofreu impeachment.
O então líder do Congresso, José Jerí, assumiu o cargo de chefe de Estado. Em fevereiro de 2026, o Legislativo o destituiu.
O atual mandatário do Peru é José María Balcázar, que fará a transferência do cargo ao próximo presidente em 28 de julho.











































