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Criciúma lança programa “Central do Recomeço” para enfrentamento à situação de rua

A Prefeitura de Criciúma apresentou, na manhã desta segunda-feira (15), durante coletiva de imprensa, um novo programa voltado ao atendimento e à ressocialização da população em situação de rua. A iniciativa, batizada de Central do Recomeço, envolve ações integradas das secretarias de Assistência Social e Saúde e marca também os 20 anos do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) no Brasil.

O prefeito Vagner Espíndola destacou que o problema da população em situação de rua é uma realidade nacional e reconheceu a complexidade do enfrentamento. “Às vezes parece que o que é feito é enxugar gelo”, afirmou. Segundo ele, a proposta do município vai além do acolhimento emergencial e busca uma solução definitiva, com base na lei e em políticas públicas estruturadas.

De acordo com o prefeito, 25 pessoas já conseguiram retomar suas vidas comuns por meio do atual programa de acolhimento do município. Agora, a administração municipal pretende avançar com a criação de um complexo de acolhimento, capacitação profissional e ressocialização, que será construído em uma área de aproximadamente 21 mil metros quadrados (cerca de 2 hectares) no bairro Capão Bonito, em uma região agrícola e com terreno plano. O investimento para aquisição da área será de R$ 750 mil.

O projeto de lei para viabilizar a iniciativa será encaminhado ainda hoje (15) à Câmara de Vereadores, com previsão de votação extraordinária na próxima sexta-feira (18). O presidente do Legislativo municipal também participou da coletiva e garantiu empenho na tramitação. “Vamos trabalhar para aprovação desse projeto, e os vereadores sabem da importância dessa iniciativa”, declarou.

No novo complexo, além dos serviços que hoje funcionam na Casa de Passagem do bairro Pinheirinho, estarão concentrados diversos braços da assistência social e da saúde, como o CAPS AD, além de empresas parceiras, que oferecerão cursos profissionalizantes voltados à inserção no mercado de trabalho. “Desde a criação da casa de passagem do Pinheirinho, Criciúma espera algo nesse sentido há mais de 30 anos para resolver essa situação”, ressaltou o prefeito.

A secretária de Assistência Social, Dudi Sônego, explicou que a pauta da população em situação de rua foi uma das primeiras ações do atual mandato. “Começamos o governo tratando desse tema e estamos encerrando o ano trazendo uma solução concreta para a comunidade”, afirmou. Segundo ela, apesar das diversas ações realizadas ao longo do ano, os resultados ainda não foram suficientes. Atualmente, cerca de 20 pessoas por mês são encaminhadas pela casa de passagem com foco na inserção no mercado de trabalho. “Precisamos de um local que concentre todos os serviços de assistência social e saúde em um único espaço”, completou.

O secretário de Saúde, Deivid de Freitas Floriano, também destacou a demanda histórica da cidade por uma solução mais efetiva. “Criciúma vem pedindo uma resposta há muito tempo”, disse. Ele informou que 450 pessoas já foram acolhidas por meio das ações de saúde do município. As internações involuntárias, segundo o secretário, continuarão sendo realizadas, mas com acompanhamento ainda mais qualificado. “Toda a equipe médica especializada e psicológica do município estará envolvida”, garantiu.

Atualmente, o município conta com nove clínicas credenciadas que continuarão prestando os serviços, e uma internação involuntária tem custo médio de R$ 500/dia, valor que poderá ser reduzido com a ampliação dos atendimentos voluntários no novo complexo. A estrutura da Central do Recomeço permitirá o atendimento simultâneo de até 40 pessoas.

Durante a coletiva, o prefeito reforçou que o espaço não será apenas um local de permanência. “Lá não será um spa de descanso, será um lugar com regras”, afirmou. Ele também destacou que não governa “através do berro” e que a prefeitura estuda a contratação de policiais para atuar no enfrentamento da situação, conforme lei já aprovada pela Assembleia Legislativa e enviada pelo governador Jorginho Mello.
Outro dado apresentado pela secretária de Assistência Social é que 40% das pessoas atendidas atualmente não são naturais de Criciúma. Todos os meses, entre 30 e 40 pessoas que desejam retornar às suas cidades de origem têm as passagens custeadas pelo município.

O modelo da Central do Recomeço foi inspirado em experiências bem-sucedidas de outros municípios, especialmente Chapecó, que recebeu visitas técnicas da equipe criciumense. Com a aprovação da lei, transferência do terreno e reforma do espaço, a expectativa da prefeitura é que, em até 10 meses, o novo complexo esteja em funcionamento, representando um marco no enfrentamento da situação de rua.

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