A inauguração da tão aguardada reforma da sede da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC), realizada nesta segunda-feira (22/12), em Criciúma, foi mais do que um ato administrativo. O evento escancarou um clima raro de unidade entre os prefeitos da região, fruto direto do estilo conciliador e agregador adotado pelo atual presidente da entidade, o prefeito de Lauro Müller, Valdir Fontanella (PP). Nos bastidores, o sentimento é de que a AMREC vive um “novo tempo”.
Com a eleição e posse da nova diretoria previstas para fevereiro, o acordo inicial entre os partidos prevê que a presidência passe ao PSD. Dentro da legenda, os nomes naturalmente colocados são os prefeitos Vagner Espíndola (Vaguinho), de Criciúma; José Cláudio Gonçalves (Neguinho), de Forquilhinha; Franqui Salvaro, de Siderópolis; e Luiz Laurindo, de Balneário Rincão.
No entanto, o cenário não é tão simples quanto parece no papel. Vaguinho, atual vice-presidente da AMREC, já deixou claro que não pretende assumir a presidência, afirmando que seu foco será exclusivamente a gestão de Criciúma. Neguinho, que já presidiu a associação e hoje comanda o CIM-AMREC, também não demonstra interesse em retornar ao cargo. Franqui Salvaro, em conversa com a coluna, foi direto: “A vez é do Vaguinho. Qualquer coisa fora disso precisa ser discutida em reunião para definir os próximos passos”. Já Luiz Laurindo aparece como um nome possível caso o partido avance nessa direção, mas prefere o silêncio sobre o tema.
Diante desse vácuo político, cresce nos bastidores a articulação por um acordo que permita a renovação da atual mesa diretora por mais um ano, mantendo Valdir Fontanella na presidência. A hipótese ganha força dentro do próprio PSD, que pode optar por abrir mão da vaga em nome da estabilidade e da continuidade do projeto regional.
Durante a solenidade de inauguração da sede, o tom descontraído de Vaguinho ao declarar torcida pelo movimento “#ficaFontanella” arrancou risos, mas foi interpretado por muitos como um recado político claro. Lideranças regionais do PSD avaliam que a permanência de Fontanella não representaria a continuidade de um partido no comando da AMREC, mas sim de um nome que conseguiu transitar entre siglas, reduzir ruídos políticos e fortalecer a pauta regional acima de interesses individuais.
Sede renovada simboliza novo momento
A modernização da sede da AMREC reforça esse simbolismo. O espaço passou por melhorias estruturais, ganhou acessibilidade, atualização tecnológica e ambientes mais adequados para reuniões, trabalho técnico e eventos. Além da AMREC, o prédio abriga o Consórcio Intermunicipal Multifinalitário e o Núcleo do Governo do Estado, ampliando a articulação regional e acelerando o diálogo com os governos estadual e federal.
Ao discursar, Fontanella destacou que a nova estrutura é uma ferramenta para transformar diálogo em ações concretas. “Quando os municípios trabalham juntos, quem ganha é a população. Esse espaço está mais preparado para ações que melhoram a vida das pessoas em toda a região”, afirmou.
A presença maciça de prefeitos, deputados estaduais e federais, além de representantes do governo do Estado e da Unesc, reforçou a leitura política do momento: a AMREC vive uma fase de coesão pouco comum, e mexer nessa engrenagem pode não ser a prioridade agora.
Se depender do clima observado na inauguração, fevereiro pode trazer uma decisão menos partidária e mais pragmática. E, ao que tudo indica, Valdir Fontanella entra nesse jogo não apenas como presidente, mas como o principal fiador da unidade regional.











































