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Instituto Maria Madalena Santiago discute saúde da população negra em Tribuna Livre no Legislativo de Criciúma

Fotos: Sofia Scarsi Texto: Sofia Scarsi
A Câmara de Vereadores de Criciúma recebeu o Instituto Maria Madalena Santiago em sua Tribuna Livre para debater sobre a saúde da população negra. Por solicitação do vereador Valdeci Bittencourt, o Amaral (PSD), a enfermeira estomaterapeuta, mestra e professora Maria Madalena Santiago utilizou do espaço para explicar o papel da instituição e os cuidados com a população negra. A Tribuna Livre ocorreu na Sessão Ordinária desta terça-feira (20).

Ao iniciar a apresentação, Maria Madalena compartilhou sua trajetória como mulher negra, enfermeira estomaterapeuta e professora. Ela atua como coordenadora do curso Técnico em Enfermagem e ministra aulas na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) nas áreas de enfermagem, farmácia, fisioterapia e medicina. Ela enfatizou a importância dessa oportunidade para debater a realidade da população negra.

“Hoje é um momento em que podemos falar sobre a saúde da população negra, um tema tão importante. E que, por muitas vezes, nós deixamos passar. Falar sobre isso é algo que eu tenho defendido muito, porque como professora universitária e como enfermeira há 26 anos, é uma causa que eu levanto com muita gratidão”, explicou.

A enfermeira esclarece a necessidade de reconhecer que a população negra ainda enfrenta desigualdades importantes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado. Ela comenta que essa é uma realidade muito próxima e frequente na região.

Maria Madalena ressaltou temas, como: a saúde da mulher negra, saúde emocional e vínculo, avaliação da pele negra, e feridas e cuidado especializado. Além disso, ela assegura o quanto o racismo está presente na área da saúde e a importância de compartilhar essas situações.

“É diferente quando eu falo do meu lugar de fala. Se eu fosse uma mulher loira aqui, eu não estaria no meu lugar de fala. Hoje, eu falo do meu lugar de fala como uma mulher negra, como uma mulher que já sofreu violência obstétrica, como uma professora que já sofreu racismo. Então, eu não falo de algo que eu não vivi. Eu falo de algo vivido.

O papel da instituição

O Instituto Maria Madalena Santiago é voltado para a capacitação e especialização de profissionais da saúde, trazendo ciência e humanização na prática. Além disso, a instituição também atua no cuidado com feridas, tanto em domicílio quanto em consultório.

“Eu busco atuar e direcionar sobre a saúde da população negra, mas também na saúde como um todo. Lembrando que, eu falo de 55,5% de pessoas pretas e pardas, somadas, que representam metade da população brasileira”, destaca.

Ao finalizar a sua apresentação, Maria Madalena ressaltou o quanto se sentiu ouvida e o desejo de que esse diálogo gere transformações. “O paciente nunca é apenas uma ferida. Eu sempre digo isso. Toda pessoa merece ser ouvida e cuidada. Eu sinto que vocês não estão só ouvindo, mas estão refletindo. E é isso que muda a nossa mentalidade”, concluiu.

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