A alta procura por atendimentos no pronto-socorro infantil do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina (HMISC) foi tema de reunião na Câmara de Vereadores de Criciúma na tarde desta terça-feira, dia 26. O encontro promovido pela Comissão de Saúde definiu estratégias solucionar o problema que gera filas na unidade e longo período de espera para a consulta.
Durante o debate, os participantes elencaram dois principais desafios: a conscientização da população para que procurem o hospital somente nos casos de urgência e emergência e a busca por recursos para ampliar a capacidade de atendimento do HMISC.

“As famílias estão levando até cinco horas para serem atendidas. Nós chegamos ir até o hospital para verificar a situação e tinha mais de 50 crianças na fila. Diante disso, ficou encaminhado nesta reunião que tentaremos uma agenda com a Secretaria de Saúde do Estado, que é responsável pelo hospital, pedindo por mais recursos para contratação de médicos. Isso já foi feito em 2022 e solucionou naquela época”, disse o vereador José Paulo Ferrarezi (MDB), presidente da Comissão de Saúde.
Procura intensa pelos hospitais e UPAs
O diretor-geral do HMISC, César Augusto de Magalhães, lembrou que o hospital realiza, em média, 5 mil atendimentos no pronto-socorro infantil por mês, acima dos 3,6 mil contratados pelo Governo de Santa Catarina. O número, apesar de alto, ainda está dentro da capacidade da unidade, mas nos primeiros meses do ano a tendência é de elevação na quantidade de pacientes.
“Muitas crianças retornam para as escolas e também é uma fase onde há um crescimento nos diagnósticos de doenças respiratórias. Isso acontece normalmente entre os meses de março e maio. Para evitar que ocorra situação pior, conforme foram em anos anteriores, procuramos a Câmara de Vereadores para buscar soluções e tivemos um bom debate na reunião. Nós não temos falta de profissionais. Já estamos atendendo com cinco médicos. O que nos falta é estrutura física para conseguir ampliar os serviços e para isso precisamos elaborar estratégias para ir atrás de recursos”, destacou Magalhães.
Dados levantados pelo HMISC confirmam a versão apresentada pelo diretor-geral do hospital. Em 2023, por exemplo, os gráficos mostram a elevação na quantidade de atendimentos nos meses por ele citado. Também em 2023, quase 80% dos atendimentos realizados no pronto-socorro infantil do HMISC foram de casos classificados como não urgente ou pouco urgente.

Atendimentos pediátricos e obstétricos no HMISC em 2023 – Divulgação/Ideas
A mesma dificuldade é relatada pelo Hospital São José (HSJosé) e pelas Unidades de Pronto Atendimento 24 horas (UPAs) dos bairros Próspera. “A nossa preocupação nas UPAs é com a quantidade de pacientes ambulatoriais. Temos uma cultura entre as pessoas onde elas procuram diretamente as UPAs e os hospitais antes de ir até a atenção básica. Em março, por exemplo, 71,2% dos nossos atendimentos foram de casos ambulatoriais e não de urgência e emergência”, ressaltou Fabiano Teixeira, diretor do Instituto Maria Schmitt, que administra as UPAs de Criciúma.
O diretor-técnico do HSJosé, o médico Raphael Farias, também demonstrou preocupação com o aumento da demanda no pronto-socorro da unidade. “Tivemos um aumento na busca por atendimentos de mais de 30% no nosso pronto-atendimento na comparação do mesmo período de 2023 para 2024. Mas 60% dos pacientes são classificados com as pulseiras de atendimento verde ou azul. Os hospitais são especializados em urgências e emergências. Então a nossa luta é pela conscientização das pessoas para que saibam a forma de qual serviço procurar conforme a sua situação”, enfatizou.
Município cobrado por mais atendimentos pediátricos
Durante a reunião, os vereadores José Paulo Ferrarezi (MDB), Giovana Mondardo (PCdoB), Daniel Antunes (União Brasil), Júlio Kaminski (PP) e Juarez de Jesus (PL) questionaram o secretário de Saúde de Criciúma, Acélio Casagrande, sobre problemas relatados por criciumenses para agendamento de consultas, principalmente de pediatria.
Giovana relatou problemas com o Tele Saúde e falta de investimentos em profissionais da saúde. Antunes frisou a dificuldades para agendamento de consultas com pediatras e Kaminski pediu por mais investimentos na atenção básica para mão sobrecarregar os hospitais e as UPAs.
“Temos em Criciúma 37 mil crianças de 0 a 14 anos. Em fevereiro foram 3,8 mil atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde do município e mais 1,2 mil consultas com pediatras. Somando os atendimentos dos hospitais e das UPAs dá mais de 10 mil crianças atendidas no mês. Nossas 48 unidades de saúde têm médico e há 16 pediatras contratados”, frisou Casagrande ao responder os questionamentos. 
O secretário concorda com a mobilização para buscas alternativas que solucionem o problema das filas no HMISC e UPAs, mas reforça que o município vem fazendo a sua parte. “O SUS é tripartite, ou seja, tem participação federal, estadual e municipal. Vamos continuar buscando essa sinergia, sem crítica daqui ou de lá, sem buscar culpados. Tem que ser um conjunto de ações para que tudo dê certo. Criciúma é modelo, é referência para o Brasil, mas a saúde sempre vai ter um problema aqui, problema lá”, amenizou.
Conforme encaminhado na reunião, o tema voltará a ser debatido em agenda com a secretária de Estado da Saúde, Carmem Zanotto. A data para o encontro ainda será definida.











































