O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (11) que não pretende conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste momento, mesmo diante da repercussão negativa da nova tarifa de 50% imposta a produtos brasileiros. A medida, anunciada na última quarta-feira (9), é a mais alta entre as 22 novas tarifas determinadas pelo governo norte-americano nesta semana e está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.
“Talvez em algum momento eu converse, mas neste momento, não”, respondeu Trump a jornalistas em frente à Casa Branca, ao ser questionado sobre uma possível interlocução com o líder brasileiro.
A declaração de Trump evidencia o atual distanciamento entre os dois governos e representa mais um capítulo da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. A nova tarifa atinge especialmente o setor do aço e do alumínio brasileiros, setores que têm forte presença nas exportações para o mercado americano.
Em meio à crise diplomática, Trump também voltou a demonstrar apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), chamando-o de “homem muito honesto”. “O Bolsonaro é um grande patriota. Foi injustamente tratado. Um homem muito honesto”, disse o republicano, em tom enfático, ao lado de assessores.
A manifestação de Trump acontece em um momento delicado para Lula, que tenta mobilizar aliados internacionais para reverter ou ao menos mitigar os efeitos das tarifas impostas por Washington. Nos bastidores, fontes do Itamaraty indicam que o governo brasileiro vê com preocupação a deterioração das relações bilaterais, especialmente às vésperas da entrada em vigor das novas medidas.
A aproximação de Trump com Bolsonaro também reacende o debate sobre o alinhamento ideológico nas relações internacionais, especialmente com a aproximação das eleições presidenciais brasileiras de 2026. Bolsonaro, que ainda enfrenta processos na Justiça, tem mantido interlocução com figuras da direita internacional e busca fortalecer seu capital político no cenário conservador global.
Enquanto isso, o Palácio do Planalto ainda não se pronunciou oficialmente sobre as falas do presidente americano, mas fontes do governo avaliam que a postura de Trump dificulta o diálogo diplomático e pode impactar negativamente setores da economia nacional.











































