O futuro do transporte público de Criciúma volta ao centro do debate mais uma vez em um cenário que já não permite soluções paliativas. A reunião extraordinária do Conselho Municipal de Trânsito Consultivo (CMT), realizada nesta sexta-feira (17), com a presença do prefeito Vagner Espíndola e do Consórcio CriBus, evidencia um problema que se arrasta há anos: o desequilíbrio financeiro estrutural do sistema.
Os números, embora divergentes, apontam para a mesma direção preocupante. Enquanto o CMT havia projetado um déficit que poderia chegar a R$ 23 milhões, a Agência Intermunicipal de Regulação (AGIR) fala em cerca de R$ 15 milhões. A diferença entre os valores não muda o essencial: o modelo atual está sob forte pressão e já compromete obrigações básicas, como pagamento de salários e benefícios aos trabalhadores.
A decisão preliminar de não reajustar imediatamente a tarifa pode parecer, à primeira vista, uma medida sensata do ponto de vista social. Em um contexto econômico ainda delicado para grande parte da população, evitar o aumento da passagem é compreensível. No entanto, adiar essa discussão sem apresentar alternativas concretas pode apenas empurrar o problema para frente e, possivelmente, agravá-lo.
O transporte coletivo não é apenas um serviço: é um pilar da mobilidade urbana e do funcionamento da cidade. Quando o sistema entra em colapso financeiro, toda a dinâmica urbana sofre. Trabalhadores enfrentam incertezas, usuários convivem com a possibilidade de redução na qualidade ou na oferta, e o poder público se vê pressionado a intervir emergencialmente.
A revisão dos contratos de concessão, tema central da reunião, é um passo inevitável. Mas ela precisa ir além de ajustes pontuais. Criciúma tem a oportunidade e a necessidade de repensar o modelo como um todo: subsídios mais transparentes, novas fontes de financiamento, integração com políticas urbanas e, principalmente, uma lógica que não dependa exclusivamente da tarifa paga pelo usuário.
O debate que ocorre hoje no CMT não pode se limitar ao curto prazo. A cidade precisa de uma estratégia sustentável, que garanta previsibilidade às empresas, segurança aos trabalhadores e um serviço digno à população. Caso contrário, o risco é continuar revisitando o mesmo problema, reunião após reunião, sem nunca sair do lugar.











































