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Salvaro entregou o bolo mas quem realmente ‘deu o bolo’ em Amin?

No dia 19 de novembro de 2025, um gesto aparentemente simples acabou ganhando contornos simbólicos no cenário político de Santa Catarina. Em visita cordial ao senador Esperidião Amin (PP), o ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSD), levou consigo um bolo. O registro, que estampou manchetes e gerou comentários nos bastidores, foi interpretado por muitos além da literalidade.

Quem acompanha a trajetória de Salvaro (PSD) sabe que seus movimentos raramente são casuais. Conhecido por sua atuação estratégica, o ex-prefeito costuma comunicar mensagens políticas de forma indireta, porém calculada. E aquele encontro, ao que tudo indica, não fugiu à regra.

À época, Salvaro já havia declarado apoio ao senador Amin, mas também fez uma observação que hoje ganha novo peso: a possibilidade de o senador vir a “levar um bolo” de aliados históricos. A fala foi interpretada como um alerta sobre fissuras dentro da direita catarinense.

O pano de fundo dessa leitura passa pelo governador Jorginho Mello (PL) e pela influência do ex-presidente Jair Bolsonaro. A movimentação política que trouxe Carlos Bolsonaro (PL) para o debate eleitoral no estado, compondo articulações com a deputada federal Carol De Toni (PL), evidenciou disputas internas e diferentes estratégias dentro do próprio campo conservador.

Essa reconfiguração não passou despercebida. Nos bastidores, lideranças comentam que a entrada de novos nomes e a formação de chapas mais alinhadas ao núcleo bolsonarista ampliaram tensões dentro do PL catarinense, gerando incertezas sobre alianças que antes pareciam consolidadas.

Ao mesmo tempo, o senador Esperidião Amin segue com atuação destacada em pautas conservadoras no Senado Federal, mantendo presença ativa em debates nacionais e tendo participado como testemunha em episódios relevantes ligados ao ex-presidente Bolsonaro, incluindo desdobramentos políticos após os eventos de 8 de janeiro.

No cenário eleitoral, analistas apontam para uma disputa competitiva ao Senado em Santa Catarina, com múltiplos atores relevantes e um eleitorado dividido. Já no âmbito estadual, pesquisas indicam um cenário favorável à reeleição de Jorginho Mello, com possibilidade de definição ainda no primeiro turno embora campanhas eleitorais frequentemente tragam surpresas ao longo do processo.

Paralelamente, Clésio Salvaro se movimenta em direção a uma pré-candidatura à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC), buscando manter protagonismo político após sua passagem pelo executivo municipal.

No fim das contas, o “bolo” entregue naquele encontro pode ser visto como mais do que um gesto cordial. Para alguns, foi um símbolo — talvez até um aviso. Em um ambiente político marcado por alianças fluidas e disputas internas, a metáfora do “bolo” ganha força como representação de promessas não cumpridas, reconfigurações de poder e da imprevisibilidade que define o jogo político.

Resta saber se aquela imagem foi apenas um registro curioso ou um prenúncio de movimentos que ainda estão por se consolidar no tabuleiro catarinense.

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