Imigrantes e refugiados relatam experiências ao deixarem seus países e o acolhimento em Criciúma
“Estou muito feliz aqui”, com essa frase e emocionado, o jovem haitiano Rocheny Sterling, casado e pai de um menino que nasceu no Brasil, descreve o sentimento de estar em segurança. “No Haiti há uma crise política, guerra civil, situações assustadoras que enfrentamos diariamente. Muita violência! Aqui encontramos paz, apoio e auxílio”. “Cheguei por convite de amigos faz dois meses, mas eles não me ajudaram. Aqui na organização já consegui fazer entrevista de emprego, estou aguardando a resposta e posso dizer que estou feliz nessa cidade que gosto muito”, emendou o ganês Prince Dotse Adetsi.
Nesta semana, no dia 20, especificamente, foi lembrado o Dia Mundial do Refugiado. Neste contexto, o jornal Tribuna de Notícias traz uma matéria especial contando a história de algumas pessoas que saíram de seus países em busca de uma vida melhor, além de apresentar os serviços disponíveis para que essas pessoas tenham sua cidadania e dignidade garantidas.
Cristian Nehomar Yuripe, venezuelano casado com Raisa Mijares Nuñez, chegou a Criciúma com um grupo de familiares e religiosos composto por 38 pessoas. Ele conta que a maioria já está trabalhando e que se alegra por ter sido recebido como se fosse brasileiro nato. Questionado porque vir para Criciúma, ele responde: “Os caminhos de Deus são misteriosos. Há alguns anos vim pregar a palavra, gostei da cidade e recebei o chamado de Deus como missão de voltar para cá. Fomos todos recebidos de maneira muito especial, somos só gratidão”.
A Organização Não Governamental (ONG) Happy Face atende direta e indiretamente em torno de 500 imigrantes e refugiados. Número que cresceu após parceria firmada com a Prefeitura de Criciúma. Conforme a advogada e coordenadora da ONG, Ana Claudia Moreira, a organização atua na defesa e garantia de direitos de imigrantes e refugiados. Para isso, oferece aulas de língua portuguesa, encaminhamos para o mercado de trabalho, auxilia com a documentação e regularização dos mesmos no Brasil.
“Nosso sonho é prover ferramentas para que eles possam realizar seus sonhos! A maioria das pessoas que deixa sua terra natal não o faz porque quer, mas porque precisa. Os estrangeiros e refugiados no Brasil merecem tanto respeito e simpatia quanto os nativos. E o nosso trabalho é dar apoio para que vivam bem em nossa sociedade”, assinalou Ana Claudia, enfatizando que o trabalho da Happy Face é totalmente focado no relacionamento. “Acreditamos que para fazer a diferença na vida de qualquer pessoa é preciso saber verdadeiramente o que ela vive. E a Happy Face é muito mais que uma escola de português para estrangeiros, somos uma família”.
Serviços públicos
Em Criciúma, alguns serviços são disponibilizados pelo poder público e por organizações não governamentais. No caso da Secretaria de Assistência Social e Habitação, estão registrados 783 imigrantes no Cadastro Único para o recebimento, principalmente, do Bolsa Família. Esses cidadãos são originários de 36 países diferentes, na maioria da República do Haiti (323) e da Venezuela (257). “Esses são dados dos imigrantes que acessam o CadÚnico do Governo Federal que permite vários benefícios, entre eles o Bolsa Família. São pessoas nascidas em outros países, com idade de um a 89 ano”, disse Aline Veiga, coordenadora da Proteção Social Básica de Criciúma. As informações foram coletadas pelo Cecad com base de abril deste ano.
Outro serviço ofertado pelo município, além de todos oferecidos à população em geral, é o projeto “Novos Caminhos”, destinado a imigrantes e, principalmente aos alunos estrangeiros que frequentam as escolas e que não falam a língua portuguesa. A proposta visa inserir a Língua Portuguesa no cotidiano escolar, assim como no dia a dia das famílias desses imigrantes (venezuelanos, benesses, ganeses, haitianos, argentinos, cubanos, entre outros). Para o secretário de Educação, Celito Cardoso, é fundamental que essas famílias tenham a oportunidade de serem inseridas na sociedade.
O projeto “Novos Caminhos”
Neste ano, o projeto está acontecendo em oito escolas divididas por duas professoras de Língua Portuguesa que atendem 60 estudantes estrangeiros e 80 adultos. “Para melhor atendê-los foi feito uma parceria com a Happy Face e Bairro da Juventude, onde as aulas acontecem nas quintas e sextas-feiras, no período noturno. A coordenadora do Programa Municipal para a Diversidade Étnico-Racial (PMEDER), Andreza Aparecida Fidelis, salienta que o projeto Novos Caminhos é voltado ao acolhimento e imersão de estudantes estrangeiros, na Língua Portuguesa, com objetivo de permitir que os estudantes matriculados no ensino fundamental possam ampliar os seus processos comunicativos em diferentes práticas sociais. “Sabemos bem que nosso idioma é repleto de particularidades que podem dificultar a aprendizagem, onde vai exigir uma dedicação por parte dos professores, estudantes e toda a comunidade escolar”.












































