O fio diplomático entre Brasília e Washington voltou a tensionar depois das declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Em entrevista à Fox News, Rubio voltou a atacar o Brasil e ameaçou impor novas sanções em represália ao que chama de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos de prisão. Sem revelar quais seriam as medidas, o chanceler americano prometeu anúncios “nos próximos dias” e não poupou críticas ao Supremo, a quem classificou como “ativistas” com ambições extraterritoriais.
A ofensiva não parou por aí. Horas depois, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, levou a disputa para as redes sociais, endossando um artigo do Wall Street Journal que acusa o Supremo brasileiro de recorrer ao “lawfare” para sufocar Bolsonaro. A convergência entre governo americano e parte da mídia conservadora dá sinais de que a questão deixou de ser apenas bilateral e passou a integrar a guerra de narrativas no cenário internacional.
No Planalto, já se previa algum ruído vindo de Washington. Mas a possibilidade de retaliação via Assembleia Geral da ONU pegou a diplomacia brasileira de surpresa. Com o evento marcado para 23 de setembro em Nova York, parte da delegação oficial — incluindo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha — ainda não teve o visto liberado. A manobra, se confirmada, configuraria quebra do acordo firmado em 1947, que obriga os EUA a permitir a entrada de todas as missões estrangeiras credenciadas pela ONU.
O Itamaraty, por ora, age no tom formal. Na última sexta-feira, protocolou protesto contra a demora americana e deixou no ar a ameaça de recorrer a medidas legais para assegurar a presença integral da missão. A reclamação ecoa outra controvérsia recente: a decisão dos EUA de vetar a participação da delegação palestina no encontro anual da ONU.
A própria organização se manifestou. Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral António Guterres, admitiu preocupação com a lentidão na emissão dos vistos e cobrou respeito ao acordo de sede. “Esperamos que sejam entregues”, afirmou, citando a frustração semelhante da delegação palestina.










































